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SAÚDE MENTAL NA VELHICE: UM ALERTA PARA A SOCIEDADE E PARA O MERCADO DE SEGUROS

O envelhecimento da população não é apenas uma conquista da longevidade: também traz novos desafios sociais, econômicos e emocionais. Nos últimos anos, especialistas vêm observando uma tendência preocupante: o crescimento das taxas de suicídio entre homens idosos, especialmente na faixa acima dos 85 anos.



Embora o fenômeno tenha sido observado com mais intensidade nos Estados Unidos, o alerta vale para qualquer país que vivencie um rápido envelhecimento populacional — como o Brasil. O dado chama atenção não apenas pela dimensão humana, mas também pelos impactos diretos sobre políticas públicas, planejamento familiar e até mesmo sobre o mercado de seguros.


Quando viver mais não significa viver melhor


Pesquisas indicam que muitos homens mais velhos não apresentam doenças graves ou dificuldades financeiras severas, mas sofrem com fatores culturais e sociais:


  • dificuldade de expressar vulnerabilidade emocional;

  • identidade fortemente ligada ao trabalho, afetada pela aposentadoria;

  • redes sociais mais restritas e pouca busca por apoio psicológico.


Eventos como separações, perdas afetivas ou insegurança econômica funcionam como gatilhos poderosos para crises emocionais — mostrando que saúde mental na velhice é tão importante quanto saúde física.


O reflexo no mercado segurador


Esse cenário impacta diretamente o setor de seguros em duas dimensões principais:


  1. Cálculos de risco e precificação de seguros de vida

    O aumento de suicídios em grupos mais longevos pressiona ajustes atuariais. Modelos de subscrição precisam considerar novas tendências demográficas, revisando cláusulas de carência e recalculando riscos com maior precisão.


  2. Produtos com suporte emocional integrado

    Seguradoras ao redor do mundo começam a incluir programas de bem-estar, linhas de apoio psicológico e aconselhamento especializado em produtos de saúde e vida. O objetivo é ir além da indenização financeira e oferecer proteção preventiva — uma demanda crescente de uma sociedade que cobra soluções mais completas para o envelhecimento.


Além dos números: a necessidade de uma rede de proteção maior


A elevação desses índices também expõe a fragilidade das políticas públicas voltadas ao envelhecimento. Durante décadas, o foco esteve na saúde física, deixando a saúde mental em segundo plano. Essa lacuna transfere para famílias, comunidades e empresas responsabilidades que deveriam ser compartilhadas com o Estado.


No caso do mercado segurador, o desafio é claro: não basta calcular riscos, é preciso entender mudanças sociais e responder com soluções que promovam dignidade e inclusão.


Um chamado para ação conjunta


O avanço do suicídio entre idosos mostra que envelhecer com qualidade depende de cuidado integral — físico, emocional e social. O seguro de vida e saúde pode (e deve) ser parte de um arranjo maior de proteção, combinando:


  • políticas públicas consistentes,

  • iniciativas privadas inovadoras,

  • educação para saúde mental,

  • integração entre família, comunidade e setor produtivo.


Enxergar que o sofrimento psicológico não é inevitável na velhice abre espaço para respostas mais amplas. Para seguradoras, isso significa ir além dos cálculos atuariais e participar ativamente da construção de soluções para uma sociedade em transformação.

 

 
 
 

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