SAÚDE MENTAL NA VELHICE: UM ALERTA PARA A SOCIEDADE E PARA O MERCADO DE SEGUROS
- sabrina0570
- 29 de ago. de 2025
- 2 min de leitura
O envelhecimento da população não é apenas uma conquista da longevidade: também traz novos desafios sociais, econômicos e emocionais. Nos últimos anos, especialistas vêm observando uma tendência preocupante: o crescimento das taxas de suicídio entre homens idosos, especialmente na faixa acima dos 85 anos.

Embora o fenômeno tenha sido observado com mais intensidade nos Estados Unidos, o alerta vale para qualquer país que vivencie um rápido envelhecimento populacional — como o Brasil. O dado chama atenção não apenas pela dimensão humana, mas também pelos impactos diretos sobre políticas públicas, planejamento familiar e até mesmo sobre o mercado de seguros.
Quando viver mais não significa viver melhor
Pesquisas indicam que muitos homens mais velhos não apresentam doenças graves ou dificuldades financeiras severas, mas sofrem com fatores culturais e sociais:
dificuldade de expressar vulnerabilidade emocional;
identidade fortemente ligada ao trabalho, afetada pela aposentadoria;
redes sociais mais restritas e pouca busca por apoio psicológico.
Eventos como separações, perdas afetivas ou insegurança econômica funcionam como gatilhos poderosos para crises emocionais — mostrando que saúde mental na velhice é tão importante quanto saúde física.
O reflexo no mercado segurador
Esse cenário impacta diretamente o setor de seguros em duas dimensões principais:
Cálculos de risco e precificação de seguros de vida
O aumento de suicídios em grupos mais longevos pressiona ajustes atuariais. Modelos de subscrição precisam considerar novas tendências demográficas, revisando cláusulas de carência e recalculando riscos com maior precisão.
Produtos com suporte emocional integrado
Seguradoras ao redor do mundo começam a incluir programas de bem-estar, linhas de apoio psicológico e aconselhamento especializado em produtos de saúde e vida. O objetivo é ir além da indenização financeira e oferecer proteção preventiva — uma demanda crescente de uma sociedade que cobra soluções mais completas para o envelhecimento.
Além dos números: a necessidade de uma rede de proteção maior
A elevação desses índices também expõe a fragilidade das políticas públicas voltadas ao envelhecimento. Durante décadas, o foco esteve na saúde física, deixando a saúde mental em segundo plano. Essa lacuna transfere para famílias, comunidades e empresas responsabilidades que deveriam ser compartilhadas com o Estado.
No caso do mercado segurador, o desafio é claro: não basta calcular riscos, é preciso entender mudanças sociais e responder com soluções que promovam dignidade e inclusão.
Um chamado para ação conjunta
O avanço do suicídio entre idosos mostra que envelhecer com qualidade depende de cuidado integral — físico, emocional e social. O seguro de vida e saúde pode (e deve) ser parte de um arranjo maior de proteção, combinando:
políticas públicas consistentes,
iniciativas privadas inovadoras,
educação para saúde mental,
integração entre família, comunidade e setor produtivo.
Enxergar que o sofrimento psicológico não é inevitável na velhice abre espaço para respostas mais amplas. Para seguradoras, isso significa ir além dos cálculos atuariais e participar ativamente da construção de soluções para uma sociedade em transformação.







Comentários