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11 DE SETEMBRO: O ATENTADO QUE MUDOU PARA SEMPRE O MERCADO SEGURADOR GLOBAL

O 11 de setembro de 2001 completa 24 anos e segue marcado como um dos episódios mais trágicos e transformadores da história recente. Os atentados terroristas que destruíram as Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova York, deixaram quase 3 mil vítimas fatais e provocaram perdas seguradas estimadas em US$ 40 bilhões (cerca de US$ 59 bilhões em valores de 2024).



Mais do que um marco humano e econômico, o episódio redefiniu para sempre a forma como seguradoras e resseguradoras avaliam e precificam riscos catastróficos não-naturais.


O impacto imediato no mercado de seguros


Naquela manhã de setembro, dois aviões atingiram as Torres Gêmeas, um terceiro colidiu com o Pentágono e um quarto caiu em Shanksville, Pensilvânia. Além da tragédia humana, o impacto econômico foi global: mercados paralisados, retração econômica e instabilidade para investidores.

No setor de seguros, os efeitos foram sentidos imediatamente:


  • Exclusão do risco terrorismo da maioria das apólices;

  • Aumento expressivo nos preços de ramos como Propriedade, Aviação e Vida;

  • Perdas bilionárias para resseguradoras, que revisaram modelos de risco;

  • Adoção de políticas mais rígidas de subscrição e exigências de capitalização.


Reação global e novas práticas


Os atentados inauguraram uma nova era no mercado segurador mundial. Entre as mudanças mais relevantes, destacam-se:


  • Separação formal do risco terrorismo das apólices tradicionais de property;

  • Crescimento de instrumentos alternativos como Insurance-Linked Securities (ILS) e sidecars;

  • Maior presença de parcerias público-privadas para lidar com riscos sistêmicos (terrorismo, pandemias, mudanças climáticas);

  • Disciplina mais rigorosa na gestão de capital e subscrição técnica.


No Brasil, um ano após os ataques, a Revista de Seguros (edição 819, jul/set de 2002) registrava que ramos como Cascos Marítimos e Aeronáuticos, Transportes e Riscos de Petróleo ainda enfrentavam renovações até 60% mais caras. A previsão era de um “ciclo duro” que poderia durar três anos — e de fato, marcou a indústria no início dos anos 2000.


Legados permanentes do 11/9


Passadas mais de duas décadas, os aprendizados do 11 de setembro seguem presentes na rotina das seguradoras em todo o mundo:


  • Gestão preventiva de riscos catastróficos, com modelos cada vez mais robustos e detalhados;

  • Judicialização mais complexa, envolvendo disputas contratuais sobre responsabilidades e limites de cobertura;

  • Consolidação de mercados alternativos, como Bermudas, que se firmaram como centros globais de capitalização;

  • Reforço do papel das seguradoras como agentes de estabilidade financeira e social diante de crises globais.


O atentado de 11 de setembro não foi apenas um marco da história mundial, mas também um divisor de águas para a indústria de seguros. Ao expor a vulnerabilidade frente a riscos não-naturais de grande escala, o episódio levou o setor a rever conceitos, fortalecer práticas e buscar novas formas de proteção.


Vinte e quatro anos depois, o mercado segue mais preparado e resiliente — um legado que mostra como a segurança e a proteção patrimonial continuam sendo pilares fundamentais para o equilíbrio da sociedade diante de incertezas globais.

 
 
 

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